Futuros de Bitcoin
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Exposição regulada ao bitcoin sem custodiar o ativo: quais contratos existem, como sua base se comporta e em que eles se diferenciam dos perpétuos.
Os contratos regulados
A Cboe e a CME oferecem futuros de bitcoin com liquidação financeira, regulados pelas autoridades americanas de derivativos. O contrato BTC da CME cobre 5 bitcoins, e o MBT, sua versão micro, cobre 0,1 bitcoin, o que o torna acessível para contas modestas. A liquidação é calculada sobre uma taxa de referência construída a partir dos preços de vários mercados à vista regulados, em uma janela de horário definida. A vantagem fundamental em relação a operar em uma exchange de criptomoedas é institucional: câmara de compensação, supervisão regulatória e a dispensa de custodiar chaves privadas ou de confiar na solvência de uma plataforma não regulada.
A base e o que ela diz
A diferença entre o preço do futuro e o do mercado à vista se chama base, e no bitcoin ela tem sido historicamente positiva e às vezes muito ampla: os futuros chegaram a ser negociados com prêmios anualizados de dois dígitos altos em momentos de euforia. Esse prêmio reflete a demanda por exposição alavancada na alta e o custo de financiá-la. Quando a base se amplia muito, indica superaquecimento do posicionamento comprado; quando se comprime ou fica negativa, indica capitulação. Além disso, esse prêmio dá origem a uma operação clássica: o cash and carry, que consiste em comprar o ativo à vista e vender o futuro para capturar o prêmio com o risco de mercado neutralizado, e que é uma das estratégias mais usadas pelas mesas institucionais nesse ativo.
Futuros regulados versus perpétuos
A maior parte do volume de derivativos de bitcoin não está nos futuros regulados, e sim nos perpétuos oferecidos pelas exchanges de criptomoedas. A diferença estrutural é que os perpétuos não vencem: para manter o preço ancorado ao mercado à vista, usam um mecanismo de taxa de financiamento (funding rate), paga periodicamente entre comprados e vendidos conforme o lado em que estiver o desequilíbrio. Oferecem alavancagens muito maiores e operam sem interrupção, mas não têm câmara de compensação regulada, expõem ao risco de solvência da exchange, e sua taxa de financiamento pode ficar muito cara quando o posicionamento está enviesado. Os futuros regulados sacrificam alavancagem e flexibilidade em troca de garantias institucionais.
Volatilidade e dimensionamento
O bitcoin tem uma volatilidade anualizada que costuma ficar entre 50% e 80%, várias vezes a de um índice de ações. Isso significa que o dimensionamento herdado de outros mercados não serve: o mesmo nocional produz um risco muito maior. O contrato MBT resolve boa parte do problema ao permitir posições de 0,1 bitcoin, com as quais se pode montar uma exposição proporcional mesmo em contas pequenas. A regra prática é calcular o tamanho a partir da volatilidade implícita do próprio ativo ou de seu ATR, e não por hábito: uma posição que seria prudente no E-mini S&P pode ser desproporcional no bitcoin com o mesmo número de contratos.
Opções e outros veículos
A CME oferece opções sobre seus futuros de bitcoin, com liquidez crescente, embora ainda inferior à dos mercados tradicionais. Sua volatilidade implícita é muito elevada, o que torna a venda de prêmio atraente, mas exige risco definido, dada a magnitude dos movimentos possíveis. Fora do mercado de futuros, os ETFs à vista aprovados nos Estados Unidos oferecem exposição direta sem erosão por contango e com opções negociáveis sobre alguns deles, o que simplificou muito o acesso. E as plataformas de opções cripto oferecem cadeias mais profundas, ao custo de operar fora do arcabouço regulatório americano e de assumir o risco de contraparte da plataforma.