Nasdaq 100 e QQQ
ES: Nasdaq 100 y QQQ EN: Nasdaq 100 and QQQ
O índice das maiores empresas não financeiras da Nasdaq: o que o torna mais volátil do que o S&P 500 e como isso se traduz na operação com opções.
O que ele reúne e o que deixa de fora
O Nasdaq 100 reúne as 100 maiores empresas não financeiras listadas na bolsa Nasdaq, ponderadas por uma capitalização modificada que limita o peso dos gigantes para evitar concentrações extremas. A exclusão das financeiras não é um detalhe menor: elimina bancos e seguradoras, setores que se comportam de forma muito diferente do restante e que estão presentes no S&P 500. O resultado é um índice dominado por tecnologia e consumo discricionário, com uma proporção muito alta de empresas de crescimento cujos lucros estão projetados para o futuro. Essa composição explica praticamente todo o seu comportamento diferenciado.
Por que ele é mais volátil
O Nasdaq 100 tem historicamente um beta superior a 1 em relação ao S&P 500, e sua volatilidade implícita — medida pelo índice VXN — é negociada sistematicamente acima do VIX. Há duas razões. A primeira é a sensibilidade às taxas de juros: as empresas de crescimento têm seus lucros mais distantes no tempo, e o valor presente de um fluxo distante é muito mais sensível à taxa de desconto; uma alta de juros comprime suas avaliações mais do que as de uma empresa madura que já gera caixa. A segunda é a concentração setorial: sem financeiras, energia ou utilities para amortecer, os movimentos do setor de tecnologia são transmitidos ao índice sem diluição.
Os veículos disponíveis
O QQQ é o ETF de referência, um dos mais negociados do mundo e com opções muito líquidas; entrega física, estilo americano e dividendos trimestrais que introduzem risco de exercício antecipado em calls vendidas. O NDX é o índice, com opções de liquidação financeira e estilo europeu, mas com um nocional muito elevado — o índice é cotado em dezenas de milhares de pontos — que o torna inacessível para contas médias. Para resolver esse problema existe o XND, uma versão de nocional reduzido do índice. Em futuros, o NQ — E-mini Nasdaq, multiplicador 20 — e o MNQ — micro, multiplicador 2 — cobrem a faixa de tamanhos. Existe ainda o QQQM, gêmeo do QQQ com taxa menor, mas sem uma cadeia de opções comparável.
O que significa operar suas opções
Três consequências de sua maior volatilidade. Primeira, os prêmios são mais gordos: vender um strangle sobre o QQQ rende bem mais do que sobre o SPY para deltas equivalentes, e essa diferença não é uma ineficiência, e sim o preço de um risco real. Segunda, o movimento esperado é maior, o que obriga a colocar os strikes mais longe para obter a mesma probabilidade; usar a mesma largura do SPY produz uma estrutura muito mais arriscada do que parece. Terceira, a correlação com o S&P 500 é alta — normalmente acima de 0,85 —, então combinar posições nos dois não diversifica: é a mesma aposta com intensidade diferente, algo que o delta ponderado pelo beta revela de imediato.
Quando faz sentido preferi-lo
Quatro situações. Quando a tese é especificamente sobre tecnologia e crescimento, e não sobre o mercado em geral. Quando se quer mais prêmio por unidade de risco assumido e se aceita conscientemente a maior volatilidade. Quando se opera uma tese sobre taxas de juros, já que o Nasdaq 100 é o veículo mais sensível entre os grandes índices e amplifica o movimento. E quando se busca dispersão em relação ao S&P 500, operando o diferencial entre os dois em vez da direção de qualquer um deles. Por outro lado, não faz sentido como substituto genérico do mercado: para isso, o S&P 500 é mais representativo e menos enviesado.